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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre o abraço


Se um homem soubesse o poder que seu abraço tem ao acolher uma mulher, a segurança que ela sente, todas as melhores coisas que passam em sua mente, o quanto ela se entrega. Se ele desconfiasse que naquele momento ele a tem inteira, completa, repleta de uma felicidade extrema. Será que ele se manteria ali por mais alguns segundos? Será que a pressa de um abraço seco se tornaria próximo do que uma mulher sente? Será que ele entenderia que essa coisa tão simples, tão gratuita, dentre muitas coisas no mundo é o que gente mais precisa, é o que nos abriga, é o que dá paz ao nosso sono?

Cáh Morandi

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tempestade


A lembrança da tua voz
é minha companheira nos dias de tempestade
nas horas que lembro, viver é preciso
apesar de...
apesar de tanta coisa ficar perdida
entre os olhares que nunca,
n-u-n-c-a mais irão se cruzar
mas a tua voz fica, e soa,
e canta às vezes
e eu começo a chover,
a chover,
c
h
o
v
e
r
para dentro de quem um dia fui
contigo.


Cáh Morandi

domingo, 30 de janeiro de 2011



Eu não sei como vai ser...
enquanto todos me olham
enquanto todos me chamam
enquanto todos me cantam
enquanto eu só sei de você


Cáh Morandi

sábado, 16 de outubro de 2010

 
para as coisas que existem
sem remédio, sem solução
que te tragam tédio,
desespero, frustação
há outras mil coisas
que são bonitas
que são doces
que são felizes

e se você não achar
nada de bom ou de maior
você cria alguma coisa
qualquer coisa boa que não existe

e se você botar fé nisso
essa coisa vai começar a existir
mesmo que ninguém veja
mesmo que só você acredite



(Cáh Morandi)

Eu tinha uma vontade louca de mudar minha vida e apostar na tua até a última ousadia.

Cáh Morandi

sábado, 2 de outubro de 2010


 Preocupação é para despreparados
o que sei e me basta
não é o que vem ou o que foi
é isso que é e que a vida me faz
o que acontece entre a possibilidade
de um pensamento e o outro
o que sou não é resultado de um propósito
me tornei espelho das escolhas
não me perdi na direção
quem se perde tem um destino
eu procuro um futuro
.
.

(Cáh Morandi)

terça-feira, 21 de setembro de 2010


Por vezes, o vento bate na janela, atravessa as frestas, soa, canta qualquer canção que não te faça dormir. O vento nem sempre é um bom amigo, o quarto nem sempre é um bom abrigo. Por fim esse momento não passa de um mal estar, de um querer estar em casa já estando, em um querer chegar em algum lugar da onde já se está partindo. Estamos todos entre o antes e o depois, o agora é breve bobagem, só está de passagem entre o lembrar e o esperar. Então lembre e espere, não se desespere, me guarde em um bom lugar..
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(Cáh Morandi)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"... A gente faz o que o coração dita, mas esse mundo é feito de maldade e solidão..."

 (Saudade da Bahia, Dorival Caymmi)

Quando nos despedimos era a hora certa. Você esperou meu choro, meu desespero, minha súplica e minha ligação, esperou por coisas que não vieram. Você estava pronto para me consolar, para dizer que eu tinha que ir em frente e deixá-lo, mas não esperava que eu já conhecesse o caminho, que já tivesse partido bem antes do adeus.

Preciso te contar o quanto estou incrívelmente feliz, o quanto o meu amor próprio superou as madrugadas longas, o quanto que me descobrir fez te esconder na memória, o quanto me permitir me fez mais interessante, o quanto fantástica posso ser e as pessoas que posso ter ao redor, que posso escolher e não ser a escolha. Eu escolho você. Te escolho para ser quem irá ficar me esperando do outro lada da linha, da ponte, da avenida. Te escolho e te coloco do lado oposto da minha opção pela alegria.

Te escolho não por maldade, por vingança ou por caridade, mas porque você me ensinou muitas coisas, e coisas boas, coisas que nem um inimigo me ensinaria. Por causa de você conheci meus limites e os desaprendi, e hoje não me permito a nada que seja menos do que a felicidade ou mais do que a sensatez. Você me ajudou a me tornar uma mulher mais forte e menos tempestuosa. Me ensinou a não ser cruel, quando me magoou. Me ensinou a como não permitir o descaso, quando te contava um sonho. Me ensinou como não enganar, quando optou por outros planos. Me ensinou a descobrir o quanto posso ser amada, quando teu cuidado era de outra face.

Hoje meu corpo tem outras mãos espalhadas, hoje meu caminhar é um convite, hoje meu olhar é uma armadilha, hoje minha lembrança é uma tortura, hoje minha companhia é para poucos, hoje meu cheiro é um abismo, hoje meus dedos são violinos, hoje meu riso é a felicidade, hoje meu plano aceita ser surpreendido. Hoje apenas me permito a certeza do que a incerteza me impõe.
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Cáh Morandi

quinta-feira, 8 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Você vai me sorrir, você vai se enfeitar e vem me seduzir..."

(Você vai me seguir, Chico Buarque de Hollanda)


Não que fosse impossível, mas como amar alguém que não ouve a mesma canção? Como amar alguém que não decifra o que há na música, que não entende só a melodia, que não vê a poesia na letra e se emocina? Como não perceber as possibilidades de um amor louco ou breve na canção que se descreve? Como não precisar quando a voz vibra de saudade ou de dor? Não se ama alguém que não ouve.
 
Não se planeja uma vida com alguém que não ouve a mesma canção, não se preocupa com a poesia, que não a entende, nem a sente, nem a perpetua. Vida sem poesia, não sobra nada, nem amor para o próximo dia. Não se ama alguém que não tenha um livro de Lya Luft, um cd do Chico ou de Maria Bethânia, um quadro na parede e um amor do passado. Aliás, não se ama alguém sem passado, sem história, sem uma saudade de alguma coisa que até quando você olha nos seus olhos sente arder. Quem tem saudade, tem alguma coisa boa que vem desde muito tempo. Não se ama alguém pronto, alguém preparado, alguém seguro de tudo. Só se ama alguém que ainda podemos ver crescer, crescer junto com o que também queremos ser.

Não se entrega um sonho nas mãos de alguém que não ouve a mesma canção, de alguém que não ocupa o teu pensamento todo, e não te retribui em dobro o gesto e o riso. Não se ama alguém que não lê jornais, que não come besteiras, que duvida no toque do telefone. Não se ama alguém que não conhece teu perfume, teu prato e teu lugar preferido. Que não percebe que teu temperamento não é teu signo, que não acredita no que você daria a vida. Não se ama alguém em quem não se confia de olhos fechados e de coração aberto.
 
Não se apaixone por alguém que não ouve a mesma canção, nem goste de matinês e cafeterias. Não se ama alguém que não tenha plantas em casa, não use tapete na porta de entrada e não tenha talheres de inúmeras cores. Não se ama alguém que derrete na chuva e se torra no sol. Não se ama alguém que não viaja, que não planeja, que não tenha expectativas, nem que sejam mínimas e tolas. Não se ama quem fala pouco, quem gesticula antes da palavra e que não cante junto com a música.
 
Não se ama quem nunca quebrou um copo, quem nunca esqueceu as chaves, quem está satisfeito com a cor da sala, quem não tem compromisso, quem perde a hora, quem joga extratos fora, quem se muda toda hora, que não tenha manias, que não acorde com o rosto amassado de manhã. Desconfie se não te olhar nos olhos, se não te der segurança no dar das mãos, se mudar de assunto no domingo de manhã e principalmente, com toda certeza, desconfie, mude, termine se não ouvir a mesma canção.
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.Cáh Morandi

sábado, 3 de abril de 2010



Doía. Doía muito ter um amor nascendo por dentro de mim, me remoendo a carne, me sugando o sangue, me alucinando a mente. Os amores antes de chegar, deviam me enviar cartas avisando com antecedência sua visita em minha vida, ou então um telefonema com ligação a cobrar, ou sinais de fumaça, ou pombos com recados, ou garrafas jogadas no mar. Mas que desse um jeito de me comunicar de sua dolorosa chegada, para que antes eu preparasse o terreno, tá entendendo? É, arrumasse a casa aonde moro e a casa da aonde moram meus sentimentos, dispensasse outras possíveis visitas, orasse pedindo sol e calmaria por todos esses dias que o amor ficasse, tirasse o pó acumulado sobre as esperanças, me prevenisse dessas dores de parto. Sim, dores de parto, parto duplo: uma nova vida chegando e já com alguma pretensão de logo partir.
 
Na minha vida os amores nunca duraram mais do que duas ou três estações, um vestido novo, e alguns não passaram do primeiro jantar ou da primeira noite. Sei lá, se apaixonar é sempre um risco e eu tenho medo. 
Nem sempre quis que desse certo uns relacionamentos, eram fracos, não me estremeceram, não me penetraram. Outros de tão grandiosos me assustaram, então eu pulava fora do barco, afinal era felicidade em demasia o que aquela outra pessoa me propunha. Sabe, eu não tinha tanta coisa assim para retribuir, meu poço era raso demais para a pessoa mergulhar de cabeça, e na verdade ela era é um poço muito fundo e denso, e eu nunca soube nadar. Alguns foram amenos e doces, me surpreendiam com seus atos de amor platônico, eram surreais, eram os mais perigosos, pois não tinham um laço com o real, foram eles que me deram a loucura de poder sonhar e de acreditar nas coisas mais impossíveis, e esse negócio do improvável era o que mais me atraía. Esses eu queria, alguns levei para casa, cuidei, reguei, abracei para dormir, fiz poemas, tatuagens, fiz lista com nomes de filhos. Mas um dia, quando menos se espera, a realidade toca a campainha e invade os cômodos de um amor idealizado e tudo termina. Esses são os amores que mais doem e os que eu mais me entrego.
 
Na verdade tem muita gente por aí pensando que amores para existirem, dependem antes de uma estabilidade financeira, bom, pode ser, para alguns sim. Eu prefiro os amores que dependem antes e depois do companheirismo, da cumplicidade, do abraço, do beijo, do querer bem, das mãos dadas. As pessoas têm todo direito de escolher a forma mais sensata de ficarem ricos. Eu prefiro os pequenos milagres, prefiro começar por dentro, pelo gesto de carinho que para mim é indispensável.
 
Por isso o amor dói, e me refiro ao verdadeiro amor. Não falo dos capitalistas, dos materialistas, dos “dinheiristas”. Falo dos amores que antecedem qualquer ato de possuir ou não, os amores pobrezinhos, os amores idealistas e sonhadores. O amor dói, mas dói naqueles que são capazes por aceitar o amor como essa coisa tão simples e imprescindível. Agradeço por essa dor permanente de amar, de me ultrapassar: o amor antes de ser um sentimento, é um ato de coragem.
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.Cáh Morandi
 

Sempre será assim, fazemos as coisas de forma diferente, quando as fazemos a última vez.
 
Há apenas um dia decisivo em toda nossa vida: aquele em que optamos por nosso futuro. É o dia do vôo. Tudo que vivermos depois da escolha e do salto, será nossa vida inteira.
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Cáh Morandi

quinta-feira, 25 de março de 2010


Nada em mim foi covarde,
nem mesmo as desistências:
desistir, ainda que não pareça,
foi meu grande gesto de coragem.



Cáh Morandi

domingo, 27 de dezembro de 2009




Acho que não quero me conformar com as fotografias, com os vídeos, com as cartas. Quero me acostumar em poder trazer à tona, a qualquer hora, a qualquer tempo, o momento vivo, o instante exato.

Saber o caminho que passamos, é a forma mais segura de ir em frente.
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.Cáh Morandi


Paguem o preço que for, não abro mão de nada do que quero para mim. Não abro mão de nada que possibilite a mais breve e minuscula chance de felicidade, de qualquer coisa que me soe a chance de um novo amor chegar. Não me fecho. Me abro “como um brilhante que partindo a luz, explode em sete cores, revelando então os sete mil amores, que eu guardei somente pra te dar...”
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.Cáh Morandi

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ninguém sai da vida inteiro



Um dia nos tiram alguma coisa e não adianta se prevenir, se precaver ou ficar atento. Isso vai acontecer. Ninguém sai da vida inteiro e os que saíram, bom, eu não os conheci. Uma noite você vai estar perdida ou tão despercebida que irão tirar sua intimidade, e acredite: você vai sentir que anda nua por toda a vida. Um dia vão lhe tirar um riso, uma oportunidade, um direito, algo que você mais gosta ou aquilo que você mais preza. Talvez você perceba na hora, talvez você só perceba muito tempo depois. Não quero parecer pessimista, mas a realidade é assim. Acredite no que te digo: o que vão tirar de você é irrecuperável.

Cáh Morandi

quarta-feira, 11 de novembro de 2009



Talvez nunca mais se cruzem. Talvez ela mude de emprego, alugue um apartamento novo de frente para um pracinha com uma única árvore, comece a acordar às cinco da manhã, passe o café enquanto procura um par de meias, venda o carro, comece a pegar duas lotações para chegar no novo emprego, ache até bonito o uniforme, quem sabe canse no fim do dia, chegue atrasada no ponto de ônibus, não tenha o dinheiro para o táxi. Ele deve ter escolhido ficar em São Paulo, ou no Rio de Janeiro ou em Brasília, não importa aonde ele tenha ficado, talvez ele queira ganhar muito dinheiro, comprar um flat de frente para o mar, viajar para Dubai no próximo feriado, comprar um carro novo, pedir para alguém fazer seu café, ter uma sala só para ele no andar mais alto do prédio, sapatos de couro, meias bem alinhadas, talvez ele preferisse ternos mais claros, um cartão com limite mais alto. Eles não souberam quando começaram ou terminaram, se por algum momento a mágica do “nós” chegou a acontecer, se podia ser amor ter vontade de dividir uma pizza. Talvez ela quisesse somente uma companhia, alguém para chamar de “amor”, um par de meias novas no Natal e passear na pracinha que tem apenas uma árvore. Ele quis um apartamento maior, a estabilidade que pode ser superficialmente alcançada, um salário mais proveitoso. Nunca disseram adeus, nem até mais, nem qualquer outra coisa que desse possibilidade de um fim ou de um próximo encontro; terminavam as conversas com beijos, quando mais frios com abraços. Talvez ele a ame. Talvez ela quisesse saber disso. Por causa da mudez das emoções que sentiam, eles não sabiam que destino davam a si. O bonito deles é a coisa mais simples em suas histórias: de alguma forma silenciosa e cheia de esperança, eles esperavam um pelo outro, embora nenhum pedido tenha sido feito.


segunda-feira, 15 de junho de 2009


" Muito tempo para pensar faz a gente amar ou desamar além da conta..."


( Cáh Morandi )