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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011


E corre com um pouco de frio até a sala. Eu sinto uma saudade ridícula. Traz um copinho meio vazio e fala da nostalgia que tem do meu licor de amêndoas. Saudade é a palavra, eu digo. Não, é nostalgia mesmo. Eu pergunto da diferença. Saudade é clichê. A gente sente nostalgia de algo distante, que a gente sabe que não vai mais voltar. Mas se você tá aqui, com meus licores e minhas camisas? Pois é, você diz com os ombros. Eu peço de volta minha camisa. Preciso me proteger do seu frio, da sua vida perfeita, da próxima vez que meu telefone tocar por engano.

Gabito Nunes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Clichê romântico


Não existe pessoa certa ou vida errada. Simplesmente nos impulsionamos em direção ao primeiro sinal de amor compartilhado, alguma fagulha ou sensação que utopicamente nos distancie da morte, rejuvenesça, preste algum significado ao ato natural de trocar o ar dos pulmões.


Gabito Nunes

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Pergunto o que seria do nosso amor  se a gente não fosse tão diferente  dos que não regam a rotina de poesia e chá de maçã...

Gabito Nunes

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mais ou menos

Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra puta-que-o-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás.

Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe.


Gabito Nunes